Por Carmen Elena Villa
SAN JOSÉ DEL GUAVIARE, quinta-feira, 10 de março de 2010 (ZENIT.org). – O bispo colombiano Guillermo Orozco Montoya deixará a diocese de San José del Guaviare, um pequeno povoado de 45 mil habitantes situado ao sul da Colômbia, para assumir, a partir do dia 10 de abril, a diocese de Girardota, após sua nomeação por Bento XVI ocorrida em fevereiro.
Dom Orozoco deixa assim uma diocese na qual sua atuação pastoral foi, não poucas vezes, dificultada pelo fato de ser Guaviare uma das regiões mais pobres e esquecidas do país e um dos principais redutos da guerrilha das FARC.
Passará agora a dirigir a diocese de Girardota, localidade mais tranquila em termos de segurança, situada a 26 quilômetros de Medellín, e caracterizada pela profunda fé de seus habitantes. Ali se encontra o santuário do Senhor Caído de Girardota, o qual é visitado por milhares de peregrinos todos os anos, e ao qual são atribuídos centenas de graças e milagres.
Dom Orozco, de 63 anos, estudou filosofia no seminário nacional “Cristo Sacerdote”, em Ceja. Licenciou-se em teologia dogmática no instituto Canisianum de Innsbruck, na Áustria. Foi ordenado sacerdote há quarenta anos em Sonsón, Rionegro.
Foi docente do seminário nacional “Cristo Sacerdote”, decano da Faculdade de Educação da Universidade Católica de Rionegro.
Foi também reitor do seminário maior de Girardota, professor da Universidade Pontifícia Bolivariana de Medellín e diretor do departamento para a pastoral dos ministérios hierárquicos do secretariado do episcopado colombiano.
ZENIT conversou com Dom Orozco sobre sua nova nomeação e sobre sua experiência de quatro anos de serviço episcopal.
- Como foi a experiência de dirigir a diocese de San José del Guaviare?
- Dom Orozco: Foi difícil, devido a tantos problemas que encontrei, mas ao mesmo tempo muito interessante, pelo trabalho que pude realizar e pela experiência adquirida.
- Qual foi sua maior satisfação ao desempenhar a função de bispo nesta diocese?
- Dom Orozco: Ter oferecido aos sacerdotes um bom serviço de formação permanente, e ter implementado um trabalho sério em favor da família em Guaviare.
- Como é a fé dos habitantes desta região?
- Dom Orozco: Nosso povo, por ser composto em sua maioria por colonos provenientes das mais diversas regiões do país, movidos pelo espírito de aventura e pelo desejo de conseguir dinheiro fácil pelo cultivo de ilícitos, carece de muitos valores cristãos; não obstante, possui um grande senso religioso e muitos deles são próximos da Igreja.
- Quais foram os principais desafios que teve de enfrentar ao dirigir uma diocese em uma região tão abandonada?
- Dom Orozco: Fazer as mudanças que eram necessárias dentro da família presbiterial e no campo administrativo, como também, negar-me a pagar a extorsão à guerrilha, o que limitou meu trabalho pastoral no campo.
- Em seus quatro anos como bispo, o que considera mais belo no exercício do ministério episcopal?
- Dom Orozco: Poder contar com a assistência de Deus (“graça de estado”), para trabalhar e enfrentar os problemas sem demonstrar ou sentir medo.
- O que era mais difícil?
- Dom Orozco: Não poder visitar pessoalmente a maior parte das comunidades rurais por ameaça da guerrilha, que impunha como condição o pagamento da extorsão. Por sorte, a ameaça era dirigida apenas ao bispo e não se estendia aos sacerdotes. E também conviver com um governo local tomado pela corrupção.
- Como recebe a nomeação para a diocese de Girardota?
- Dom Orozco: Com muita alegria, como uma graça especial do Senhor, porque poderei assim trabalhar livremente sem sofrer ameaças, em um lugar que conheço bem, uma vez que fui reitor de seu seminário diocesano por sete anos.
- Quais são suas principais expectativas como futuro bispo de Girardota?
- Dom Orozco: Estar próximo do seminário diocesano, pois é ali que se preparam os futuros evangelizadores; e também da pastoral da família, como garantia da renovação da Igreja e da sociedade.
















