Por Carmen Elena Villa
ROMA, quinta-feira, 11 de março de 2010 (ZENIT.org). – É com “enorme expectativa” que os habitantes de Santiago de Compostela se prepararam para receber o Papa Bento XVI, que anunciou há uma semana sua visita, prevista para novembro, quando visitará também Barcelona.
Xosé Sánchez Bugallo, prefeito de Santiago de Compostela, esteve em Roma para garantir que o maior número possível de peregrinos visitem o Santuário do apóstolo Tiago durante este Ano Jubilar.
Em declarações dadas à ZENIT, Sánchez Bugallo afirmou que o município recebeu a notícia da visita do pontífice “com grande entusiasmo”.
A Catedral de Santiago de Compostela, onde se encontram, segundo a tradição, os restos mortais de são Tiago, celebra o Ano Jubilar todas as vezes em que o dia 25 de julho, dia da festa dedicada ao santo, coincide com um domingo, como ocorrerá neste ano. O próximo Ano Jubilar será em 2021. Esta tradição é seguida desde 1122.
“O Jubileu já foi iniciado, abrimos as portas de nossa Catedral em 31 de dezembro, mas sabemos que a alta estação será iniciada na Semana Santa”, disse o prefeito. “O Ano Jubilar sempre atrai um número maior de peregrinos”.
Por este motivo, destacou ele, foi criada uma comissão para coordenar os esforços e as atividades culturais e religiosas com o arcebispado.
Séculos de história
Entre os séculos X e XI foram iniciadas as peregrinações a Santiago de Compostela por vários caminhos: o mais conhecido é o francês, que leva à Espanha através das vias de Roncisvalle e Jaca, passando depois por Navarra, Aragona, La Rioja, Castiglia e León atravessando toda a Galícia para chegar finalmente a Santiago.
Ao longo do trajeto foram construídos diversos abrigos para os peregrinos. Com o tempo, o Caminho de Santiago passou a ser um meio para a difusão das mais diversas correntes artísticas e culturais, como os estilos romano e gótico de arquitetura. Monges de várias ordens promoveram a difusão de tais obras.
Além do caminho francês, há também o caminho do norte, que passa pelos países bascos, atravessando a Cantabria e a Astúria até Santiago. Há também um caminho português e outro que atravessa a Espanha do sul ao norte.
“Em Santiago de Compostela, considera-se peregrino aquele que respeita uma série de requisitos, entre os quais o de percorrer uma distância mínima de 100 quilômetros a pé”, explicou o prefeito.
“A partir do século XVI, o número de peregrinos começou a diminuir rapidamente. Em meados dos anos cinquenta do século passado, alguns sacerdotes e leigos passaram a promover esta peregrinação, e a partir dos anos 70, o número de peregrinos voltou a crescer”.
Em 1982, o Papa João Paulo II visitou Santiago, fato que deu novo impulso às peregrinações pelo Caminho. Em 1989, a cidade hospedou a Jornada Mundial da Juventude, ocasião na qual caminho foi declarado “o primeiro itinerário cultural europeu”, lembrou Sánchez.
Em 1993, foi observado um “boom” nas peregrinações a Santiago de Compostela, com uma novidade importante: esta passou a atrair não apenas católicos, mas pessoas das mais diversas confissões, como evangélicos e budistas.
Sánchez Bugallo lembrou também que, durante o século XVI, alguns países ofereciam aos prisoneiros a possibilidade de reduzirem suas penas percorrendo o Caminho de Santiago. Quando se tratava de um delito grave, deviam percorrê-lo até quatro vezes. Na Bélgica, ainda existe essa oportunidade.
“O Caminho de Santiago foi associado ao conceito de perdão, de um caminho de paz pelo qual o peregrino vive mil aventuras antes de atingir sua meta final”.
“Jamais soube de alguém que tivesse percorrido o Caminho e tivesse se decepcionado no final”, continuou o prefeito de Santiago. “Ao contrário, conheci milhares de pessoas para as quais o percurso foi uma experiência inesquecível”.
“Exorto a todos a percorrer o Caminho, ou simplesmente a virem conhecer nossa cidade espetacular”, concluiu.
















