ZP10031201 - 12-03-2010
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A injustiça gera tensão social, advertem bispos mexicanos


Explicam também que a Santa Sé se pronunciará sobre os Legionários de Cristo


Por Sergio Estrada

CIDADE DO MÉXICO, sexta-feira, 12 de março de 2010 (ZENIT.org).– O México deve enfrentar o problema da falta de justiça, paz e respeito à dignidade humana, especialmente no que se refere às mulheres e aos grupos vulneráveis, e caso não o faça, haverá um agravamento das tensões sociais no país.

É o que afirmam Dom Víctor Rene Rodríguez, bispo auxiliar de Texcoco e secretário geral da Conferência Episcopal Mexicana (CEM), e Dom Rogelio Cabrera López, arcebispo de Tuxtla Gutiérrez, vice-presidente do mesmo organismo.

Em 9 de março, durante uma coletiva de imprensa, os prelados mexicanos alertaram para “o aumento da violência – assaltos, sequestros, homicídios e extorsões – e da corrupção, fatos que dia após dia entristecem cada vez mais as famílias”.

Tais circunstâncias “se tornaram parte do cotidiano de nossa sociedade”, advertem, destacando que estas caminham ao lado de uma “impotência diante da pobreza, da desigualdade na distribuição da riqueza, da falta de oportunidades de estudo, trabalho e desenvolvimento”.

Neste contexto, pediram empenho na consolidação do Estado de Direito, para que sejam garantidos os direitos individuais e coletivos e a segurança dos cidadãos.

Legionários de Cristo

Os representantes eclesiásticos também se pronunciaram sobre o caso da Congregação dos Legionários de Cristo, em resposta as inúmeras questões levantadas pela imprensa mexicana sobre as recentes revelações a respeito da vida de seu fundador, padre Marcial Maciel, e sobre a visita apostólica, realizada em nome da Santa Sé, por um grupo de cinco bispos.

“Tratando-se de uma instituição de direito pontifício, a Santa Sé, por meio da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada, tem toda a autoridade para definir o futuro dos Legionários de Cristo, e nós bispos acataremos a decisão do Vaticano”, declararam os prelados.

O bispo auxiliar de Texcoco e o arcebispo de Tuxtla Gutiérrez expressaram seu apoio às vítimas do “crime de pederastia” – a que definem como “gravíssimo” – e convidam todas as pessoas afetadas “a denunciarem tais atos, porque não se pode manter um silêncio que não beneficiará a ninguém”.

“Não se pode jamais fechar a porta para a justiça” – acrescentaram. “Todas as vítimas têm o dever e o direito de denunciar qualquer ação que possa ter comprometido suas vidas ou a de seus familiares, e nenhum bispo pode ser obstáculo para a aplicação da lei. Não se podem acobertar de nenhum modo situações que vão contra o bem das pessoas”.

Da mesma forma, sublinharam os prelados, “nada deve ser decidido às escondidas, mas se deve sempre proceder de acordo com o Direito, pois a pederastia é um crime abominável que deve ser punido”.

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