Por Genevieve Pollock
FILADÉLFIA, terça-feira, 7 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – Os cristãos estão unidos ao afirmar a importância da paternidade e as verdades dos ensinamentos de João Paulo II sobre a teologia do corpo, afirma Glenn Stanton, que trabalhou durante 4 anos como consultor da administração do presidente George W. Bush em questões sobre a família.
Stanton, diretor dos estudos de formação familiar de Focus on the Family, uma organização cristã evangélica, concedeu uma entrevista a ZENIT durante o Congresso Nacional sobre Teologia do Corpo, na Filadélfia (EUA), do qual participou.
O congresso foi realizado de 28 a 30 de julho, na arquidiocese de Filadélfia, e organizado pelo Theology of the Body Institute, uma instituição católica dedicada à teologia do corpo do Papa João Paulo II.
Stanton escreveu vários livros e colaborou em muitos outros, incluindo: Why Marriage Matters: Reasons to Believe in Marriage in Postmodern Society (Por que o casamento é importante: razões para acreditar no casamento na sociedade pós-moderna, 1997), Marriage on Trial: The Case Against Same-Sex Marriage and Parenting (O casamento em juízo: o caso contra o casamento e a paternidade entre pessoas do mesmo sexo, 2004), e Beyond Pink and Blue: Raising Gender Healthy Kids… And Parents Too (Muito além do rosa e do azul: criar filhos com uma identidade de gênero saudável... E pais também), que será publicado este ano pela editora Waterbrook.
Nesta entrevista com ZENIT, Stanton falou sobre sua experiência de trabalho com o programa governamental Head Start, assim como do seu trabalho atual em uma organização cristã evangélica, e como João Paulo II foi um impacto em ambos.
ZENIT: Você acha que a sociedade valoriza o papel dos pais mais do que antes?
Stanton: Em muitos aspectos, absolutamente. Tendo a ser mais que otimista. Acho que é, em grande medida, infelizmente, porque nos foram denegados.
Vivemos muito tempo sem pais. Vendo esta geração, estes jovens que chegam agora à maioridade não são o tipo de pessoas que diz: “Sim, eu tinha um pai, mas não importava”. Importava sim, e de maneira enorme.
Por outro lado, o Atlantic Monthly publicou há pouco uma história – foi o tema da capa: “Os homens são necessários?”. E chegaram à conclusão – baseada em uma pesquisa horrível feita com parceiras lésbicas – de que os pais não são necessários.
Certamente, podemos tender muito a seguir o ponto de vista negativo. Mas todas as crianças que estão crescendo sem os pais – Barack Obama incluído – não dizem: “Os pais não têm importância”.
Os pais são importantes e estas ideias não são meramente intelectuais. São profundamente pessoais. Quando criamos filhos sem pais, isso deixa uma grande marca neles.
Temos de criar nossos próprios argumentos. Isso nos desafia a dizer que sim, que isso realmente importa.
Neste sentido, sou muito positivo, acho que os humanos se movem em direção ao que são, e as pessoas buscam o que lhes foi negado. E pessoas como nós, que trabalham sobre a teologia do corpo, podem ajudar a explicar por que estas coisas são importantes.
- Você acha, então, que os ensinamentos da teologia do corpo são a resposta?
Stanton: Sim. E, novamente, o Papa João Paulo II o fez extraordinariamente, e Bento XVI está fazendo isso maravilhosamente também.
Uma pessoa pode dizer coisas verdadeiras, e isso é algo; mas se você fala ao coração humano, isso tem um impacto enorme. É isso que temos de aprender a fazer.
Qualquer pessoa pode proclamar a verdade. Mas o importante é “conectar” com as pessoas e tocar seu coração.
Pensamos no Papa João Paulo II como um importante professor, mas as pessoas diriam – e George Weigel diz isso em sua biografia – que tinha escutado uma e outra vez que ninguém jamais tinha conhecido um ouvinte mais intenso que ele. Nossa capacidade de escuta é, muitas vezes, a forma como nos conectamos com as pessoas.
ZENIT: Como os outros círculos cristãos receberam a teologia do corpo?
Stanton: Grande parte do acolhimento é por curiosidade, mas uma curiosidade muito positiva.
Nós, os evangélicos, temos orgulho de ser pessoas de Bíblia, mas não temos muita compreensão bíblica do que é a família. Temos, talvez, um par de versículos aqui e ali, mas uns versículos soltos não fazem uma teologia, não fazem um relato.
Este constitui um grande interesse para muitos evangélicos com os quais trabalho e falo: usar a teologia do corpo para mostrar que há um relato desde o primeiro capítulo do Gênesis até o último do Apocalipse, que o casamento é algo grande.
Existe interesse na ideia de que a Encarnação de Cristo, o sacrifício de Cristo na cruz e a Ascensão foram realizados com toda a sua corporeidade, e que isso tem relação com o fato de que temos um corpo, e o sentido de para que são nossos corpos.
Quando o capítulo 5 de Efésios fala que os maridos devem ser para suas esposas como Cristo foi para a Igreja, isso não é um sentimentalismo barato. É uma autêntica verdade teológica, uma realidade. E como a pessoa se conecta com isso?
Quando se apresenta isso aos evangélicos, eles ficam impressionados. É como se tudo se iluminasse, como se já soubessem. Eles estão muito interessados: qual é o lugar de Cristo? Qual é o relato bíblico? Qual é toda a narração, do começo ao fim, e como isso se relaciona com a família?
ZENIT: Você diria que sua atitude diante da teologia do corpo e estas ideias são radicais em comparação com o resto das pessoas que trabalham com você?
Stanton: Acho que não. De fato, no meu escritório tenho duas fotos bonitas em preto e branco, do Papa João Paulo II: uma de quando era um sacerdote jovem e outra de quando era papa. As pessoas chegam ao meu escritório e ficam intrigadas.
É algo que vai além do que conhecem, mas sabem que está na corrente em que eles estão, da fé séria. Por isso é positivo. E eu adoro ver isso.
ZENIT: Quais seriam os principais pontos que você vê refletidos nele?
Stanton: Quando o Papa João Paulo II morreu, dedicamos dois dias a ele, devido ao seu trabalho em temas sobre a vida e sua postura sobre a pureza sexual.
Ele era um líder mundial que defendeu as coisas pelas quais nós lutamos. Existe a ideia de que todos nós acreditamos em geral na mesma coisa e que trabalhamos juntos neste sentido.
Entre católicos e evangélicos não houve uma conexão tão forte com a teologia do corpo como já houve em outras questões, mas isso está mudando.
Falei por e-mail com uma pessoa antes de vir ao congresso, dizendo-lhe que eu estava vindo a um evento sobre a teologia do corpo, e esta pessoa me disse: “Ah, que bom, porque isso terá um impacto positivo em outro projeto no qual estamos trabalhando”. Foi bom, para mim, ver que há uma conexão e uma identificação positiva, com alguém com quem eu nunca havia falado sobre o tema. É contagioso e vai além do Focus on the Family, e isso é muito positivo.
Eu gostaria que o Focus on the Family estivesse aqui de forma mais significativa. Acho que muita gente nossa, que não sabe nada sobre isso, teria voltado para casa dizendo: “Estas pessoas são como nós”.
Neste sentido, há um grande futuro diante de nós em termos de como construir uma relação e uma interação muito positiva e boa, e eu me emociono muito ao poder fazer isso.
















